Cassação de CNH

Recusar o
Bafômetro Cassa
a CNH? Entenda

Por Equipe Multas Curitiba · Julho de 2026 · 9 min

Recusar o teste do bafômetro não é crime automático, mas gera a mesma penalidade de quem é flagrado embriagado. Entenda quando essa recusa pode, de fato, levar à cassação da sua CNH.

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Recusar o bafômetro cassa a CNH?

Recusar o bafômetro não cassa a CNH na primeira vez. O art. 165-A do CTB equipara a recusa à embriaguez ao volante para fins de penalidade administrativa: multa de R$ 2.934,70 (10 vezes o valor de uma infração gravíssima) e suspensão do direito de dirigir por 12 meses, além de retenção do veículo e recolhimento da CNH no local.

A cassação só entra em cena em situações específicas: reincidência na mesma infração dentro de 12 meses, ou quando a recusa se combina com outros fatores administrativos e penais, como você verá abaixo.

O que diz o art. 165-A do CTB

O condutor tem o direito constitucional de não produzir prova contra si mesmo (não autoincriminação), e por isso ninguém é obrigado a soprar o bafômetro. Mas desde a Lei 12.760/2012, o próprio ato de recusar se tornar uma infração administrativa autônoma, prevista no art. 165-A do Código de Trânsito Brasileiro: "recusar-se a ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa".

A penalidade prevista é idêntica à do art. 165 (dirigir sob influência de álcool comprovada): infração gravíssima, multa multiplicada por 10 (R$ 2.934,70) e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. As medidas administrativas também se repetem: retenção do veículo até que um condutor habilitado o retire, e recolhimento imediato da CNH.

É importante entender que a recusa, isoladamente e sem outros sinais de alteração da capacidade psicomotora, normalmente não configura o crime do art. 306 do CTB (embriaguez ao volante), já que esse tipo penal exige prova técnica (teor de álcool no sangue ou etilômetro) ou, alternativamente, sinais claros de alteração comprovados por vídeo, perícia ou testemunhas qualificadas. A recusa gera a infração administrativa de qualquer forma, independentemente de haver ou não crime.

Recusa x embriaguez comprovada: mesma pena, mas cassa igual?

Aqui está um ponto pouco explorado, mas relevante para a defesa: o art. 263, II, do CTB — que lista as hipóteses de cassação por reincidência — menciona expressamente a reincidência no art. 165 (embriaguez comprovada) dentro do rol taxativo, mas não cita literalmente o art. 165-A (recusa). Como o rol do art. 263 é taxativo (não admite interpretação extensiva contra o cidadão, segundo entendimento consolidado em direito administrativo sancionador), essa omissão literal é usada por parte da defesa como argumento para questionar a cassação por reincidência exclusivamente em recusas.

Na prática administrativa, porém, a maioria dos órgãos de trânsito equipara as duas infrações por analogia, já que ambas têm o mesmo tratamento de pena e a mesma razão de ser (impedir que o condutor escape da fiscalização de embriaguez recusando o teste). Por isso, cada caso de reincidência em recusa que resultar em notificação de cassação deve ser analisado individualmente — há espaço real para defesa técnica nesse ponto.

Quando a reincidência na recusa gera cassação

Se o mesmo condutor recusa o teste (art. 165-A) ou é flagrado embriagado (art. 165) mais de uma vez dentro de 12 meses, duas consequências se somam: a multa da segunda infração dobra, passando de R$ 2.934,70 para R$ 5.869,40, e — pelo entendimento majoritário dos órgãos de trânsito e da jurisprudência administrativa — a reincidência autoriza a cassação da CNH, com base no art. 263, II, do CTB.

Isso significa que uma recusa isolada, por pior que pareça no momento da blitz, não é o fim da linha. O risco real de cassação surge quando há um histórico de infrações da mesma natureza dentro da janela de 12 meses — inclusive registradas em estados diferentes, já que o Renach (Registro Nacional de Condutores Habilitados) é nacional e centraliza o histórico do condutor.

Recusa não é automaticamente crime

Recusar o bafômetro, por si só, raramente configura o crime do art. 306 do CTB — mas sempre gera a infração administrativa do art. 165-A, com multa e suspensão de 12 meses, independentemente de qualquer processo criminal.

Como se defender: exame clínico e outras provas

Existem caminhos de defesa legítimos para quem recusou o teste. O primeiro é solicitar, no próprio momento da abordagem, um exame clínico alternativo (perícia médica) para comprovar que não estava sob efeito de álcool ou substância psicoativa — muitas delegacias e postos de perícia oficial realizam esse procedimento mediante requisição da autoridade de trânsito.

Depois da autuação, o condutor tem prazo de defesa prévia (normalmente 15 dias contados da notificação) para contestar o auto de infração junto ao órgão autuador, alegando questões como: incompetência do agente, ausência de testemunhas, vícios formais na notificação, ou dúvida razoável sobre a real recusa (por exemplo, dificuldade respiratória documentada por laudo médico). Se a defesa prévia for indeferida, cabe recurso à JARI e, em seguida, ao CETRAN-PR.

Caso prático: a recusa mal orientada em uma blitz

Carlos, motorista de aplicativo em Curitiba, foi parado em uma blitz da Lei Seca. Orientado por um colega de trabalho a "nunca soprar o bafômetro", recusou o teste sem entender as consequências. Foi autuado pelo art. 165-A, teve a CNH recolhida e ficou 12 meses sem poder dirigir — período que comprometeu diretamente sua renda como motorista de aplicativo.

Ao buscar orientação jurídica, descobriu que já havia uma recusa anterior registrada em outro estado, oito meses antes, o que colocava sua CNH em risco real de cassação por reincidência. A defesa técnica identificou um vício na notificação da primeira autuação (endereço desatualizado, ausência de comprovação de recebimento), conseguindo anular a reincidência e reduzir a penalidade à suspensão simples de 12 meses, evitando a cassação.

Checklist: o que fazer se você recusou o bafômetro

1

Guarde o auto de infração e a notificação

Anote a data, o número do auto e o órgão autuador — esses dados são essenciais para qualquer recurso.

2

Verifique o prazo de defesa prévia

Normalmente 15 dias corridos a partir do recebimento da notificação de autuação.

3

Reúna provas favoráveis

Testemunhas, exame clínico realizado (se houver), laudos médicos ou qualquer evidência que contextualize a recusa.

4

Protocole a defesa e, se necessário, recorra

Primeiro na JARI, depois no CETRAN-PR, sempre dentro dos prazos indicados na notificação.

5

Verifique seu histórico de reincidência

Confirme junto ao DETRAN se há outras infrações de mesma natureza nos últimos 12 meses que possam gerar risco de cassação.

Recusa x embriaguez comprovada: comparativo

Dirigir embriagado (art. 165)Recusar o teste (art. 165-A)
NaturezaInfração administrativa + possível crime (art. 306)Infração administrativa autônoma
MultaR$ 2.934,70 (10x)R$ 2.934,70 (10x)
Pontos7 pontos7 pontos
Suspensão12 meses12 meses
Exige prova técnica?Sim (etilômetro/exame)Não — a própria recusa é o fato gerador
Reincidência em 12 mesesMulta dobra + risco de cassaçãoMulta dobra + risco de cassação (entendimento majoritário)

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Reincidência é o ponto crítico

Uma segunda recusa ou embriaguez comprovada dentro de 12 meses dobra a multa para R$ 5.869,40 e, pelo entendimento majoritário dos órgãos de trânsito, autoriza a cassação da CNH com base no art. 263, II, do CTB.

Perguntas frequentes

Na maioria dos casos, não. A recusa, isoladamente, gera a infração administrativa do art. 165-A (multa e suspensão), mas normalmente não configura o crime do art. 306 do CTB, que exige prova técnica ou sinais claros de alteração da capacidade psicomotora comprovados por outros meios.
R$ 2.934,70, equivalente a 10 vezes o valor de uma infração gravíssima — o mesmo valor aplicado a quem é flagrado dirigindo embriagado com teste positivo.
Sim, são adicionados 7 pontos ao prontuário, o que também pode contribuir para uma suspensão por pontuação em outro contexto, além da suspensão autossuspensiva de 12 meses própria dessa infração.
Sim. O condutor pode solicitar exame clínico, perícia ou outro procedimento técnico alternativo para comprovar que não está sob efeito de álcool ou substância psicoativa, evitando dúvidas sobre a autuação.
Não. A primeira recusa gera apenas multa e suspensão de 12 meses. A cassação depende de reincidência na mesma infração (ou em embriaguez comprovada) dentro de 12 meses.
Não. Ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Mas a recusa tem consequência administrativa própria, prevista no art. 165-A do CTB, independentemente de haver ou não processo criminal.
Sim. O Renach (Registro Nacional de Condutores Habilitados) é nacional, então infrações em qualquer estado entram no histórico do condutor para fins de reincidência e eventual cassação.
Sim. É possível contestar vícios formais na notificação, incompetência do agente, ausência de testemunhas ou apresentar exame clínico e laudos médicos que contextualizem a recusa.
O prazo de defesa prévia costuma ser de 15 dias corridos a partir do recebimento da notificação. Depois, há prazos próprios para recurso à JARI e ao CETRAN-PR, sempre indicados no próprio documento.
A infração do art. 165-A abrange a recusa a qualquer teste, exame ou procedimento que permita certificar a influência de álcool ou substância psicoativa, o que inclui os principais métodos usados em blitz de trânsito.